sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A Parábola do Mordomo Infiel

A Parábola do Mordomo Infiel

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A Parábola do Mordomo Infiel encontra-se registrada em Lucas 16:1-13


E DIZIA também aos seus discípulos: Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de dissipar os seus bens.

E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo.

E o mordomo disse consigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar, não posso; de mendigar, tenho vergonha.

Eu sei o que hei de fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas.

E, chamando a si cada um dos devedores do seu SENHOR, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor?

E ele respondeu: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e assentando-te já, escreve cinqüenta.

Disse depois a outro: E tu, quanto deves? E ele respondeu: Cem alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e escreve oitenta.

E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz.

E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.

Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito.

Pois, se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras?

E, se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso?

Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

Sobre esta parábola, eu já teci um comentário na coluna Estudos Bíblicos, categoria: Temas Polêmicos, tópico: Granjeai Amigos Com as Riquezas da Injustiça. Segue abaixo, o mesmo conteúdo que eu publiquei no citado tópico, uma vez que eu ainda não avancei no entendimento sobre esta polêmica parábola.

          Eu gostaria de confessar que existem textos bíblicos com os quais eu tenho grande dificuldade. Esse texto, de Lucas 16, é um deles. Aliás, talvez seja o texto que mais me intriga e o que mais me suscita conflitos. Quando eu leio um texto ou uma parábola de Jesus, eu viajo no tempo e me ponho a imaginar o próprio Jesus pronunciando aquelas palavras. Tento imaginar o sentimento, o contexto, e, tento extrair a visão que Ele teve ao proferir tais palavras. Sinceramente, eu não consigo imaginar Jesus proferindo as palavras registradas neste texto, e em particular as do versículo 9.
          Mas, onde, extamente, está o problema neste texto? Não é na parábola em si. É na interpretação que, supostamente foi dada por Jesus à parábola que Ele mesmo proferiu, quando Ele disse: "... E eu vos digo, granjeai amigos com as riquezas da injustiça, para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos".
          Minha dúvida é se este texto, da maneira como está registrado em nossas Bíblias, é fiel aos manuscritos originais, ou se realmente ele consta dos originais, uma vez que alguns textos podem ter sofrido alterações e algumas anotações de rodapé, dos rabinos, podem ter sido, propositalmente ou não, incluídas nas novas cópias que foram manuseadas pelos copistas e tradutores ao longo dos séculos que já se passaram.
          É que eu não vejo sintonia entre o conteúdo deste versículo com o plano de salvação. Quando pesquisamos nos sites evangélicos de estudos bíblicos, nos livros que tratam do tema e até mesmo em Comentários Bíblicos renomados, encontramos uma interpretação a este texto que o torna um excelente ponto de apoio para as doutrinas espíritas. Aliás, foi em sites espíritas que eu encontrei a mais fiel interpretação para este texto. No site www.comunidadeespirita.com.br/parabolas encontramos quatro comentaristas espíritas se esbaldando neste texto para fundamentar a doutrina da reencarnação, cuja teoria afirma que o indivíduo volta à terra diversas vezes até que seu espírito seja aperfeiçoado. Aqueles que estão vivendo em mazelas, certamente estão sendo cobrados por culpas, herdadas na última vez que encarnou. Quando uma pessoa próspera tem a oportunidade de ajudar a diminuir o sofrimento de tais pessoas, está "ajuntando tesouros no céu" e caso lhe esteja reservada alguma ira ou castigo na eternidade, aquelas pessoas que foram amparadas aqui na terra, de alguma forma, lhes serão úteis para que tenham a clemência no julgamento que receberão.
          Você pode estar pensando, mas, que grande besteira, o que nós temos a ver com a doutrina espírita? Pois é, os nossos teólogos, ao tentarem explicar o versículo que estamos comentando, autenticam as teorias espíritas. Por exempo, Matthew Henry, em seu Comentário Bíblico do Novo Testamento, publicado pela CPAD, na página 662, diz o seguinte: "O que o Senhor Jesus nos exorta aqui é que nos preparemos para nossa confortável recepção na felicidade do outro mundo, fazendo bom uso de nossos bens e prazeres neste mundo(...) Agora, devemos aprender com os homens deste mundo a usar o nosso dinheiro para que possamos ter um melhor proveito posteriormente no outro mundo(...) Dessa forma podemos fazer de Deus e de Cristo nossos amigos através das riquezas da injustiça, fazer dos anjos, dos santos e dos pobres, nossos amigos. Isto é algo muito desejável: sermos favorecidos na prestação de contas e no estado futuro".
          O Pastor Joel Leitão de Melo, em seu livro Conheça os Tesouros da Saraiva, também publicado pela CPAD, diz na página 116: "Se formos fiéis no uso do dinheiro que julgamos nosso, Deus nos dará as riquezas verdadeiras e eternas".
          Veja se estas interpretações não estão de acordo com o que os mestres espíritas falaram no site que eu citei acima:
          "... ao menos, façam como o Mordomo Infiel: Granjeiem amigos com esses bens dos quais ilegalmente se apossaram, reduzindo, assim, o débito dos que, nesta existência, resgatam culpas".
          "Um indivíduo que, sem conhecer os seus reflexos no mundo espiritual, tenha adquirido uma fortuna ilegítima e resolve por um paradeiro em seu erro, obviamente poderá reduzir o clamor de que fala Tiago,( Tg 5:3;  Tg 5:4. ) e minorar as conseqüências do desajuste que sofrerá nos planos espirituais, tomando como exemplo o feito do publicano Zaqueu, (Lucas, 19:1-10), que, ao receber em seu lar a visita de Jesus, decidiu-se espontaneamente a repartir com os pobres metade da sua fortuna e a restituir quatro vezes mais às pessoas a quem havia espoliado".
          "A Parábola do Rico e de Lázaro, (Lucas, 16: 19-31), nos revela as conseqüências funestas com que se depara um Espírito que "não soube ser prudente, granjeando amigos com as riquezas contraídas com a prática da injustiça": o rico da parábola não encontrou amigos nos "tabernáculos eternos", nem para "molhar o dedo na água e refrescar a sua língua":
          Ele não amparou Lázaro, não procurou ajudá-lo a encontrar meios de minorar as suas dores, e, como decorrência, após ultrapassar o limiar do túmulo, não obteve permissão para que Lázaro, que habitava "os tabernáculos eternos", viesse aplacar as atribulações que o acometiam".
         Se a interpretação do teólogo Matthew Henry e a do Pastor Joel Leitão de Melo estão condizentes com a interpretação do espiritismo e estas interpretações, infelizmente estão fiéis ao texto, do jeito que ele encontra-se na nossa Bíblia, então , caso este texto esteja correto, do modo como está, nós temos que nos curvar diante da doutrina espírita da reencarnação. Veja a gravidade da situação.
          Nós, evangélicos, cremos que quando a pessoa crê no Evangelho, arrepende-se dos seus pecados e confessa a Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador, recebe a remissão de seus pecados, é justificado pela fé, mediante o sangue de Jesus e está, consequentemente, salvo. Como, então, creremos que precisamos fazer bom uso do dinheiro que porventura venhamos ter, sendo misericordioso com os que são menos afortunados para com isso termos uma confortável recepção na entrada para o outro mundo? Onde está a eficácia do sacrificio vicário de Cristo?
          Em resumo, eu não creio nas teorias espíritas. Elas anulam a eficácia do sacrifício de  Cristo. A salvação é pela graça, mediante a fé - Ef 2:8. E, após a morte, segue-se ao juízo - Hb 9:27.ninguém veio a este mundo com contas a pagar e ninguém vai receber auxílio, de quem quer que seja, depois da morte. Não adiantará velas, nem missas, nem intercessões.Todos os homens serão julgados de acordo com a maneira como reagiram ao Evangelho - Rm 2:16.
          E, sendo assim, eu fico em dúvidas quanto à autenticidade do versículo 9 de Lucas 16. Tenho pra mim que estas palavras não foram ditas por Jesus, pelo menos da maneira como estão grafadas em nossas Bíblias.

         Se eu tivesse autoridade para parafrasear a Bíblia,  este versículo(o vers.9), depois de ter sido contada a parábola(vers.1-8), eu substituiria pelas palavras de Jack Blanco: “Eu vos digo: Vocês deveriam estar tão determinados a assegurar o seu futuro no Céu como esse administrador esteve em assegurar o seu futuro na Terra”. 

ISAÍAS 53

ISAÍAS 53            

    Uma das maneiras de se saber com certeza que uma profecia foi cumprida é quando a própria Bíblia atesta isso. Cessa-se então a discussão acerca do seu cumprimento ou não, visto que se a Bíblia falou tá falado.

    Exemplos : - At 2:14-17: Então se levantou Pedro, com os onze; e, erguendo a voz, advertiu-os nestes termos: Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e atentai nas minhas palavras. 15. Estes homens não estão embriagados, como vindes pensando, sendo esta a terceira hora do sai. 16. Mas o que ocorre é o que foi dito pelo profeta Joel: 17. E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; 18. Até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão.

    Ninguém tem mais dúvidas de que a profecia de Joel não precisa mais ser esperada, pois teve seu cumprimento no Pentecostes, como a própria Bíblia atesta.

         - Mt 1:20b-23: Apareceu um anjo do Senhor a José, em sonhos, e lhe disse: Filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. 21. Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos pecados deles. 22. Ora, tudo isso aconteceu, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: 23. Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel ( que quer dizer: Deus conosco ).

         - Mt 2:16-18: Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente, e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos. 17. Então se cumpriu o que fora dito, por intermédio do profeta Jeremias: 18. Ouviu-se um clamor em Rama, pranto, choro e grande lamentação; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem.

    1 QUEM deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor?

JO 12:36-38 36 Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles. 37 E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele; 38 Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?

    BRAÇO: FORÇA, PODER

MÃO ENCOLHIDA Is 59:1 EIS que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir.

IS 40:10 Eis que o Senhor Deus virá com poder e seu braço dominará por ele; eis que o seu galardão está com ele, e o seu salário diante da sua face.

    Ex 13:2: Lembrai-vos deste mesmo dia, em que saístes do Egito, da casa da servidão; pois com mão forte o Senhor vos tirou de lá.
    Em algumas vezes Deus diz: ? Com mão forte e braço estendido?.

    ?Braço estendido? do Senhor significa seu poder sendo liberado em nosso benefício, enquanto ? mão encolhida? dá a idéia de que Deus já não teria tanto poder assim. Ex. Is 50:2 : ?Acaso se encolheu tanto a minha mão que já não pode remir ou não há há força em mim para livrar?
    Em Lv 12:8, quando da apresentação de uma criança no templo, os pais deveriam oferecer um carneiro, mas se suas posses não permitissem, deveriam tomar duas rolas ou dois pombinhos. Na versão corrigida, ao invés de ?suas posses não lhe permitirem? tem: ? se sua mão não alcançar?.


2 Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos.


A razão desse versículo começar com um ?porque? é devido ao fato de ele vir respondendo à pergunta anterior: ?Quem creu em nossa pregação??. E ele responde dizendo que uma planta que nasce numa terra desértica não receberia crédito. Ninguém imaginaria que ela ?vingaria?. E Jesus nasceu assim: numa manjedoura, de uma família pobre, em um país dominado pelos romanos, em uma pequena cidade. ? Como raiz de uma terra seca?. Quem acreditaria que Ele era o rei do universo, o Messias prometido? Daí o porquê da pergunta: Quem creu em nossa pregação??.

IS 11:1 PORQUE brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raizes um renovo frutificará.

A insignificância da cidade onde Jesus foi criado fica claro nessa expressão de Natanael:

Jo 1:45-4645 Filipe achou Natanael, e disse-lhe: Havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José. 46 Disse-lhe Natanael: Pode vir alguma coisa boa de Nazaré? Disse-lhe Filipe: Vem, e vê

Não era de família nobre - não veio como rei - nasceu numa manjedoura - nada que lembrasse um rei. ?Não havia nele boa aparência para que o desejássemos? se refere a essa condição e não ao fato de Jesus ser feio fisicamente, como muitos pensam.

Se Ele nascesse em uma família de nobres, mesmo se fosse feio fisicamente, seria aplaudido como um rei. Seria desejado.

3 Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

DESPREZADO 1 IS 49:7 Assim diz o Senhor, o Redentor de Israel, o seu Santo, à alma desprezada, ao que a nação abomina, ao servo dos que dominam: Os reis o verão, e se levantarão, como também os príncipes, e eles diante de ti se inclinarão, por amor do Senhor, que é fiel, e do Santo de Israel, que te escolheu.

    Essa frase inicial refere-se ao ministério terreno de Jesus, rejeitado pelos líderes judeus da sua época e também pelo povo.

DESPREZADO 2 OU REJEITADO PELOS HOMENS

JO 1:10-11: 10 Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. 11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

4 Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.

A parte ?a? desse versículo é a mais incompreendida e mall interpretada desse capítulo, pois não se refere à cruz, mas ainda ao ministério terreno de Jesus. Apesar disso, os neopentecostais costumam dizer: ?Na cruz Cristo carregou todas as nossas doenças, por isso não podemos aceitar doenças em nós.? No entanto, como dissemos no início do texto, ninguém melhor do que a Bíblia para se explicar. Em Mateus lemos o seguinte:

Mt 8: 14 - 17: 14 E Jesus, entrando em casa de Pedro, viu a sogra deste acamada, e com febre. 15 E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou; e levantou-se, e serviu-os. 16 E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele com a sua palavra expulsou deles os espíritos, e curou todos os que estavam enfermos; 17 Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças.

    Esse texto se cumpriu no ministério terreno de Jesus e não na cruz. Se eu duvidar disso, também poderei duvidar que o Espírito Santo foi derramado no pentecostes ou que a virgem Maria concebeu de fato Cristo, mesmo a Bíblia tendo dito que sim. Porei em xeque a veracidade e confiabilidade das próprias Escrituras sagradas.
    No entanto a bíblia diz que a parte ?a? desse versículo se cumpriu quando Jesus andou por sobre a terra, e não na cruz.
    Com isso não estou dizendo que Jesus não cure hoje. O nosso acesso a Deus foi garantido na cruz e isso nos permite lançarmos sobre Ele todas as nossas angústias e recebermos dEle resposta. Mas a ausência de sofrimento só alcançaremos no céu, quando ele enxugará de nossos olhos toda lágrima.
Apenas estou dizendo que esse, que seria o único texto das escrituras a dizer que Jesus levou as nossas doenças na cruz não se refere à cruz, mas ao ministério de curas que Ele realizou na sua primeira vinda, conforme afirma o evangelista Mateus.
Porém é interessante observar como o profeta Isaías já antevia os inúmeros milagres que Jesus realizaria na terra.

5 Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
1. CRISTO MORREU PELOS NOSSOS PECADOS
I CO 15:3 3 Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,
I Pd 3:1818 Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito;
    2- PAZ COM DEUS

    É importante diferenciarmos a PAZ COM DEUS da PAZ DE DEUS. Esse versículo fala da paz com deus, a paz que alcançamos quando somos salvos e passamos de inimigos a amigos de Deus.

Rm 5:1; 8-10 1. TENDO sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo
8 Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. 9 Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10 Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.

    Éramos inimigos de Deus ( como israelenses e palestinos, por exemplo ) e passamos a ser amigos de Deus. Essa é a PAZ COM DEUS. Essa é a paz a que esse texto se refere. Na cruz Cristo estava reconciliando o mundo com Deus.
    A PAZ DE DEUS é a paz que sentimos, independente das circunstâncias, e que pode ser perdida todas as vezes que pecamos contra Deus, e recuperada quando confessamos e recebemos perdão. Essa é a PAZ DE DEUS que deve ser o ""árbitro em nossos corações.

2. FOMOS SARADOS

O sentido de SARADOS neste texto é espiritual e não se relaciona com doenças físicas. Podemos perceber isso pelo contexto imediato, visto que o profeta sai do campo físico e entra no campo espiritual : "Nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades. O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo caminho, mas o senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós". Vejam que o sentido é o de termos sidos trazidos de volta a Deus através do sofrimento de Cristo.

    Isso é confirmado pelo apóstolo Pedro, que cita esse mesmo texto, num contexto que nada tem a ver com cura física.

1 Pd 2:24 Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. 25 Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas.

6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.

7 Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.

    8 Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido.

    Do versículo 4b ao versículo 8 Isaías se refere à morte de Cristo

    Ele foi morto por morte violenta e injustamente ( "por juízo opressor foi arrebatado" - versão atualizada e "foi cortado da terra dos viventes" ).

    Não deixou descendentes ( "e da sua linhagem, quem dela cogitou? " - versão atualizada ).

9 E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca.
Esse versículo refere-se ao seu sepultamento e já previa que Cristo morreria com os ladrões na cruz ( "puseram a sua sepultura com os ímpios ") e que o rico José de Arimatéia cederia seu sepulcro para Cristo ( "mas com o rico esteve na sua morte ").

10 Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão.

Ressurreição de Cristo : depois de morto Ele veria a sua posteridade; ao contrário do versículo 8, onde Ele morreria sem deixar descendentes, na sua ressurreição ele teria descendência ( "verá a sua posteridade"), que somos nós, os salvos pelo seu sangue.

11 Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si.

Os vv 11 e 12 falam da sua glorificação e todos os salvos são o seu "despojo". São a recompensa pela sua morte.

12 Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores.

RESUMINDO: O CAPÍTULO 53 DE Isaías fala não só da morte de Cristo, como muitos pensam, mas de toda a sua vida, desde o seu nascimento, ministério terreno, rejeição, crucificação, morte, ressurreição e, por fim, glorificação.
E que Deus nos ajude a compreender a Sua Palavra.

A maldição da lei

A maldição da lei
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” ( Gl 3:13 ).
O apóstolo Paulo deixa claro que Cristo nos resgatou da maldição da lei, porém, buscando estabelecer um paradoxo, Piper faz a seguinte pergunta: - A maldição de quem? Em seguida ele arremata a pergunta com o seguinte argumento: “Mas a lei não é uma pessoa para que possa amaldiçoar. Uma maldição só é uma maldição de fato se houver alguém que amaldiçoe. A pessoa que amaldiçoa por meio da lei é Deus, que escreveu a lei. Portanto, a morte de Cristo pelo nosso pecado e por nossa transgressão da lei foi a experiência da maldição do Pai” Idem.
Para Piper só há maldição quando há alguém que amaldiçoa, porém ele erra por não discernir que quem amaldiçoa é o transgressor. A bíblia deixa claro que a maldição é consequência dos atos do transgressor "Como ao pássaro o vaguear, como à andorinha o voar, assim a maldição sem causa não virá" ( Pr 26:2 ). A maldição nunca advém da lei, visto que a lei é santa, justa, e boa. A maldição decorre do primeiro homem que transgrediu a lei, pois Deus a ninguém tenta “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” ( Rm 5:19 ; Tg 1:13 ).
A mesma argumentação que Piper utiliza ao interpretar o verso em tela é utilizada por alguns ateus quando analisam a determinação que Deus deu a Adão no Éden. Porém, como expressa as Escrituras, não foi Deus quem amaldiçoou Adão, porque a determinação do Éden era expressão do cuidado de Deus, que avisou do risco que havia em se tornar participante do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Não foi Deus quem amaldiçoou Adão, antes foi Adão que buscou e lançou maldição sobre si e sobre toda a sua descendência em virtude da força da penalidade que havia na transgressão do mandamento: certamente morrerás. O que Deus deu a Adão foi uma lei santa, justa e boa, pois foi instituída para preservar-lhe a vida, porém, na lei estava explícita uma maldição ao transgressor e, quando Adão comeu do fruto, o pecado que é excessivamente maligno achou ocasião na força da lei santa, justa e boa que dizia: dela não comerás.
Quando o apóstolo Paulo diz que Cristo nos resgatou da maldição da lei, pois se fez maldição por nós, apresentou a base legal: ‘Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro’. A maldição que Cristo veio dar liberdade ao homem diz da maldição do Éden em decorrência da transgressão do mandamento dado a Adão, e não da maldição da lei mosaica, visto que a lei mosaica foi dada para conduzir os judeus a Cristo, uma vez que os gentios não tinham lei ( Gl 3:24 ; Rm 2:14 ; Ef 2:12 ). Se Cristo morresse para livrar os homens da maldição da lei mosaica, os gentios não seriam contemplados com a salvação, pois a lei foi escrita e dada especificamente aos judeus, ou seja, a maldição que Cristo levou sobre si diz da maldição que decorre da desobediência à lei dada no Éden ( Rm 2:14 ).
Na lei mosaica foi estipulado que, caso alguém houvesse transgredido a ponto de ser condenado ao madeiro, que o transgressor não permaneceria pendurado no madeiro de um dia para o outro ( Dt 21:22 -23).
Por que tal determinação? Porque assim como a serpente foi levantada no deserto, assim importava que o Filho do homem também fosse levantado ( Jo 3:14 ; Jo 12:32 -33 ). Porém, era necessário o Filho do homem descer ao seio da terra no mesmo dia da sua morte, pois estava determinado três dias para que Ele permanecesse no seio da terra e ressurgisse dentre os mortos ( Mt 12:40 ).
Ou seja, a determinação na lei visava impedir que o corpo de Cristo permanecesse na cruz de um dia para o outro, visto que, se assim fosse, o Cristo não passaria três dias no seio da Terra conforme o predito “Quando também em alguém houver pecado, digno do juízo de morte, e for morto, e o pendurares num madeiro, O seu cadáver não permanecerá no madeiro, mas certamente o enterrarás no mesmo dia; porquanto o pendurado é maldito de Deus; assim não contaminarás a tua terra, que o SENHOR teu Deus te dá em herança” ( Dt 22:22 -33).
Ora, a lei foi dada por causa dos transgressores, porém, Cristo não transgrediu, antes foi somente contado entre os transgressores para que pudesse levar sobre si a maldição deles. A maldição não advém de Deus, antes decorre da transgressão, pois Deus a ninguém amaldiçoa.
Cristo ter sido crucificado não significa que Deus amaldiçoou o seu Filho, antes que Ele estava sendo crucificado em decorrência da transgressão da humanidade. É a transgressão que impõe maldição, porém, Cristo foi crucificaram sem transgredir "Mas é para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem causa" ( Jo 15:25 ).
Mas, porque Cristo foi parar no madeiro? A resposta advém do salmo 22: Porque como servo do Senhor, Jesus se tornou verme, opróbrio dos homens, ferido de Deus.
Todos os homens estavam sob a maldição do Éden, até mesmo os que receberam a lei. Pois a Lei determinava que quem cumprisse todas as suas determinações viveria por ela, mas ninguém conseguiu cumprir toda a lei. Como ninguém cumpriu a lei, permanecia a maldição; "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" ( Gl 3:10 )
Quando Cristo veio em cumprimento da lei ( Mt 5:17 ), veio na condição de Filho amado, em quem Deus tinha prazer. Ele não era merecedor de morte, pois foi introduzido no mundo livre de pecado, livre da condenação e da maldição que pesava sobre os homens. Quando Cristo se sujeitou à morte, e morte de cruz, não foi na condição de transgressor que foi suspenso como maldito "E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz" ( Fl 2:8 ).
 Ele assumiu a condição de maldito não como transgressor, pois quando foi pendurado no madeiro, deixou ser pendurado em obediência à determinação do Pai. Ele sujeitou-se à condição de maldito, deixando ser colocado no madeiro, porém, não como transgressor, mas em obediência àquele que tinha poder de livrá-Lo ( Hb 10:9 -12); "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro" ( Gl 3:13 ).
Na desobediência de um homem (Adão) muitos foram feitos malditos, mas na obediência do Filho do homem, que se sujeitou à morte de cruz (cálice), humilhando-se a si mesmo, muitos foram feitos justos ( Rm 5:19 ).
Os transgressores eram conduzidos ao madeiro em decorrência dos seus crimes e, permaneciam sob a maldição da transgressão de Adão, mas quando um obediente sem pecado sujeitou-se a tomar a cruz e seguir ao calvário, reuniu os elementos necessários para o resgate da humanidade (de todo que n’Ele crer).
Cristo foi tido como maldito pelos homens em decorrência da cruz, mas na verdade, na cruz estava o Cordeiro que pertencia a Deus. O que os homens reputavam por maldito, aflito, ferido por Deus, na verdade pertencia a Deus, por isso chamado de ‘maldito de Deus’ ( Dt 22:22 -33), o que é muito diferente de ser o amaldiçoado por Deus, pois a maldição só vem em função da transgressão. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias ( 1Co 1:27 ).
Devemos lembrar também que todos os homens que vem ao mundo entram por Adão, que é a porta larga que dá acesso a um caminho largo que conduz à perdição. Por causa de Adão todos os homens são filhos da ira e da desobediência, ou seja, destinados à separação eterna de Deus. Morrer sem Cristo, ou seja, sem nascer de novo pela fé no Descendente prometido a Abraão é perdição eterna. Em vista desta verdade, qualquer que fosse pendurado no madeiro, o que significava morte física, era maldito, pois seguia para a eternidade alienado de Deus.
Cristo, ao ser pendurado no madeiro, se fez maldição em prol da humanidade, porém, Ele era sem pecado pois, não foi gerado segundo a carne, o sangue e a vontade do varão, antes foi gerado pelo Espírito de Deus no ventre de Maria “Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe” ( Sl 22:10 ). Apesar de morrer morte de madeiro, o pecado não possuía domínio sobre o Filho de Deus, pois Ele não foi gerado da semente do pecado, antes foi formado por Deus no ventre de Maria.
Por não ser pecador, a morte não teve domínio sobre Cristo, pois a morte só tem domínio sobre aqueles a quem a lei disse: certamente morreras. Somente sobre esses a lei possui força, ou seja, sobre os descendentes da carne de Adão. Aquela lei santa, justa e boa deu ocasião à separação de Deus em função da desobediência de Adão.
O pecado não possuía força, antes a buscou na lei que diz: '- Certamente morrerás', a força necessária para aprisionar o homem. Por causa da morte proveniente da força da lei, o pecado escraviza os homens, o que foi impossível com Cristo. A morte não pode resistir! Soltas as ânsias da morte, Jesus ressuscitou para gloria de Deus Pai.
Ou seja, ao se oferecer sobre o madeiro, Jesus estava estabelecendo um novo e vivo caminho, através do sacrifício do seu corpo, de modo que a humanidade voltasse a ter acesso a Deus. E qual o acesso a Deus? Que os homens tomem cada um a sua própria cruz sigam após Cristo, sejam crucificados, mortos, sepultados no batismo da morte de Cristo, quando são de novo gerados uma nova criatura em verdadeira justiça e santidade em comunhão com Deus.
Portanto, a morte de Cristo foi substitutiva, visto que qualquer homem que experimentasse a morte física estaria perdido por toda a eternidade. Mas, como Cristo morreu em lugar da humanidade, ninguém que n’Ele crê precisa ficar com medo do pecado e da morte. Ninguém deve temer o madeiro e os sofrimentos dele decorrente! Antes, deve tomar cada um sobre si a sua cruz e seguir após Cristo até o calvário. Deve morrer com Cristo, pois a lei que diz: A alma que pecar esta mesma morrerá, não foi invalidada com a morte de Cristo. Antes ele providenciou o meio de o homem morrer sem provar a morte física e ser glorificado sem descer à sepultura ( Rm 6:3 -8; Cl 3:1 ).
A pena imposta pela lei no Éden não passa da pessoa do transgressor. Como todos pecaram todos devem morrer, porém, se morrer a morte física sem Cristo é condenação, mas se morrer com Cristo conforme Ele conclama a todos para que tomem sobre si a sua própria cruz, quando morrer fisicamente, a morte não mais tem domínio sobre tal pessoa, pois já ressurgiu com Cristo e é uma nova criatura.
Cristo derramou a sua alma na morte e foi contado entre os homens (transgressores), para levar sobre si o pecado de muitos ( Hb 2:9 e 14). Assim Ele fez pelo prêmio que lhe estava proposto: “Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores” ( Is 53:12 ; Hb 12:2 ).
Substitutivamente Jesus morreu pelos pecadores ( Is 53:6 ), mas para ser digno d’Ele é necessário ao homem tomar sobre si a sua cruz, chegar ao calvário, morrer com Cristo, ser sepultado na morte pelo batismo na morte de Cristo ( Rm 6:3 ), e ressurgir dentre os mortos na condição de irmão do Primogênito dentre os mortos “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” ( Mt 10:38 ).

Hoje o crente se gloria na ressurreição! Quando não crente, foi necessário aproximar-se de Cristo na morte, agora exultamos na ressurreição, pois fomos plantados à semelhança da sua morte e ressurgimos na semelhança da ressurreição de Cristo.

Salmo 22

Salmo 22
Leitura   Salmo 22

Todos os homens que vem ao mundo entram por Adão.
Que é a porta larga que dá acesso a um caminho largo que conduz à perdição. Por causa de Adão todos os homens são filhos da ira e da desobediência, ou seja, destinados à separação eterna de Deus. Morrer sem Cristo, ou seja, sem nascer de novo pela fé no Descendente prometido a Abraão é perdição eterna. Em vista desta verdade, qualquer que fosse pendurado no madeiro, o que significava morte física, era maldito, pois seguia para a eternidade alienado de Deus.
Recentemente foi o artigo “Dois paradoxos na morte de Cristo”, do pastor, conferencista e escritor americano John Piper e fiquei perplexo com a disposição dos argumentos e da conclusão dele acerca de algumas nuances pertinente à morte de Cristo.

“Portanto, a morte de Cristo pelo nosso pecado e por nossa transgressão da lei foi a experiência da maldição do Pai. É por essa razão que Jesus disse, ‘E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?’ (Mt 27:46) (...) Na morte de Cristo, Deus lançou sobre ele os pecados do seu povo (Isaías 53.6), os quais odiava. E em ódio por esse pecado, Deus deu as costas a seu Filho carregado de pecados, e o entregou para sofrer todo o poder da morte e da maldição” Piper, John, Artigo: Dois paradoxos na morte de Cristo - grifo nosso (amplamente divulgado na web).
A asserção de que Cristo experimentou a maldição do Pai como sendo o ensino evangélico mais comum é até compreensível, porém, fazer uso da passagem da carta de Paulo aos Gálatas: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” ( Gl 3:13 ), para justificar tal consenso é assustador.
O argumento de que foi Deus quem amaldiçoou o seu Filho porque Ele é o autor da lei é espúrio do ponto de vista bíblico. Os argumentos expostos no artigo “Dois paradoxos na morte de Cristo” não refletem o posicionamento das Escrituras. Porém, de toda a argumentação do proeminente escritor no artigo em análise, a aberração maior coube à seguinte declaração:
O texto possui imprecisões quanto à interpretação bíblica e reflete um consenso distorcido e divorciado da verdade, pois uma releitura das últimas palavras de Cristo na Cruz deixa nítido que não há paradoxo algum na morte de Cristo e que Deus não amaldiçoou o Seu Filho.

Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
O evangelista Lucas relata que, após Cristo ter rendido o espírito, o centurião que estava ao pé da cruz fez a seguinte confissão: “Na verdade, este homem era justo” ( Lc 23:47 ), e a multidão que assistiu a crucificação voltou batendo no peito ( Lc 23:48 ).
Ora, Cristo era mestre por excelência, e o evento da crucificação foi cenário de uma aula magna de interpretação das Escrituras, além de constituir-se a vitória da humanidade sobre a maldição do pecado.
É de conhecimento que Jesus ao falar às multidões fazia uso do grego ‘Koine’, língua comum ao povo. Porém, quando da crucificação, Jesus falou uma única frase em aramaico, o que chamou a atenção dos evangelistas, que registraram tal fato tão significativo. Quando Ele disse: - Eli, Eli, lamá sabactâni, muitos não compreenderam o que fora dito, a ponto de interpretarem que Cristo clamava por Elias ( Mt 27:47 ).
Os evangelistas, por sua vez, ao fazer menção da frase pronunciada por Cristo, de pronto providenciaram a tradução do que foi dito, que se resume na seguinte frase: - Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
Naquele instante cruento Jesus não estava lamentando que fora abandonado, antes Ele citou as Escrituras, de modo que, quem o ouviu, posteriormente poderia relacionar o evento da crucificação com o que vaticinara o salmista Davi no salmo 22.
Ao citar as Escrituras, Jesus estava anunciando abertamente a todos que assistiam a crucificação que, naquele instante, cumpria-se o predito no salmo 22. Quando Jesus leu o trecho do profeta Isaías no templo, afirmou categoricamente: - Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos ( Lc 4:21 ), quando bradou na cruz: - Eli, Eli, lamá sabactâni, foi o mesmo que anunciar: - Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.
O salmo 22 é composto de 31 versos. Jesus citou o primeiro verso em aramaico, o que remeteria os ouvintes a considerarem todo o contexto do salmo.
Sabemos que os salmos, na sua grande maioria, constituem-se em profecias messiânicas, pois os salmistas não falavam de si mesmos, mas do Cristo ( 1Cr 25:1 ). Neste salmo é evidenciada a mesma verdade anunciada por Isaias: “...não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos (...) e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido" ( Is 53:2 ).
Qualquer homem que olhasse para Cristo teria a impressão de que ele era aflito, ferido e oprimido por Deus, e o salmo 22, versos 1 à 8 descreve o final da existência do Cristo entre os homens e o desprezo dos seus algozes.
A expressão: - Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? demonstra quão efetivamente as pessoas que assistiram a crucificação tiveram a impressão de que Cristo era aflito, ferido e oprimido por Deus.
Era evidente o contraste entre Cristo e os demais homens. Nestes oito versos é profetizado a visão que os homens teriam de Cristo: verme e opróbrio dos homens “A ti clamaram e escaparam; em ti confiaram, e não foram confundidos. Mas eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo” ( Sl 22:5 -6).
Cristo clamou ao Pai no Getsêmani para que, segundo a vontade do Pai, passasse dele o cálice. Aparentemente Cristo não foi atendido, uma vez que Ele bebeu o cálice que o Pai deu a beber e, na hora da crucificação as pessoas diziam em tom de deboche: “Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus” ( Mt 27:43 ), porém, o livramento do Pai estava além túmulo, algo que os homens não compreendiam: "Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção" ( Sl 16:10 ); "Para que viva para sempre, e não veja corrupção" ( Sl 49:9 ).
Os versos seguintes do salmo 22 demonstram a confiança de Cristo no Pai, pois Ele sabia que fora lançado do ventre materno por Deus ( Sl 22:9 -10). Qualquer que compreende as Escrituras sabe que na morte de Cristo estava a vitória d’Ele e, concomitantemente, a vitória da humanidade. A crucificação é a pedra de toque para se identificar quem crê ou não na salvação providenciada por Deus ( 1Co 1:23 ).
A petição do verso 1 do salmo 22 fica esclarecida à luz do verso 11. A profecia revela as nuances da aflição através dos seguintes rogos: - Deus meu, Deus meu! "E invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás" ( Sl 50:15 ). Ou seja, o salmo 22 prescreve o modo como Cristo na angustia deveria clamar ao Pai, pois deste modo haveria de glorificar o Pai “Os quais pronunciaram os meus lábios, e falou a minha boca, quando estava na angústia (...) A ele clamei com a minha boca, e ele foi exaltado pela minha língua” ( Sl 66:14 e 17).
A profecia revela a confiança do Filho no Pai, de modo que, mesmo na aflição sabia que o Pai seria com Ele “Não te alongues de mim” é expressão de confiança em quem poderia auxiliá-Lo na angustia, pois aquele era o momento de passar pelo vale da sombra da morte, e só Deus poderia auxiliá-Lo “Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há quem ajude” ( Sl 22:11 ).
Assim como o profeta anuncia que o Pai haveria de responder e estar com o Filho na aflição “Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei” (Sl 91:15 ), de igual modo o profeta deixa registrado que o Filho haveria de invocar o Pai ( Sl 22: 1 e 11).
Do verso 12 ao 21 são descritos vários eventos pertinentes à crucificação, porém, do verso 23 em diante, o salmista descreve profeticamente uma sobre-excelente vitória em meio ao sofrimento, e apresenta o motivo: “Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu” ( Sl 22:24 ).
O verso deixa claro que Deus não desprezou e nem abominou a aflição de Cristo. De igual modo deixa claro que Deus não escondeu d’Ele o seu rosto, ou seja, Deus nunca deu as costas para o seu Filho. É mentira tal ideia que se anuncia em muitos púlpitos evangélicos! Deus não abandonou e nem deu as costa para o seu Filho como divulgam, pois o salmo é claro: “Quando ele clamou, o ouviu” ( Sl 22:24 ); “Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei” ( Sl 91:15 ; Sl 56:13 ; Sl 20:6 ).
Cristo não foi desprezado e nem tido por abominação diante de Deus apesar da aflição e de ser o aflito de Deus, d’Ele não escondeu o seu rosto, o que contraria a ideia de que Deus voltou as costas para o seu Filho em decorrência do pecado da humanidade “E não escondas o teu rosto do teu servo, porque estou angustiado; ouve-me depressa (...) Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre” ( Sl 69:17 -21).
Como Deus poderia esconder o seu rosto do sacrifício perfeito? Cristo é o cordeiro morto desde a fundação do mundo. Cordeiro sem mancha e sem mácula! Foi oferecido segundo a vontade de Deus, portanto o sacrifício de Cristo subiu como cheiro suave às narinas do Pai “E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” ( Ef 5:2 ).

Ao citar o verso primeiro do salmo 22, Cristo despertou entre os que assistiam a crucificação, a curiosidade de aprenderem porque Ele foi descrito pelos profetas como verme e opróbrio da humanidade. Quando questionassem o fato de Ele ter dito em aramaico aqueles palavras, veriam que Ele citava as Escrituras. Quando consultassem as Escrituras, veriam que o salmo cumpriu-se cabalmente naquele evento cruento. Deste modo Cristo glorificou o Pai "Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer" ( Jo 17:4 ).